28/08/2019

EMOÇÃO E RESISTÊNCIA MARCAM HOMENAGEM AO TORTO MPBAR

A irreverência e o espírito transgressor do Torto ganharam a noite de celebração

O palco do Teatro Municipal Braz Cubas ficou pequeno para tanta emoção na noite de sexta-feira (23). A Sessão Solene para a entrega da placa em homenagem ao Torto MPBar demonstrou que o Torto está mais vivo do que nunca, embora já não possua o espaço físico onde funcionou o estabelecimento por 33 anos (1984-2017). A “tribo” do Torto esteve junta novamente para celebrar a homenagem, proposta pela vereadora Telma de Souza, e reviveu os tempos de alegria, boa música, resistência e diversidade.

Os músicos Julinho Bittencourt e Michel Pereira receberam a honraria das mãos da vereadora Telma de Souza e do presidente do Legislativo, Rui de Rosis. O momento solene foi simbólico e a grande festa ficou por conta da música e do envolvimento de toda plateia, que fez do Teatro Municipal Braz Cubas o “Torto por uma noite”.

Uma das tantas curiosidades vividas no Torto foi contada por Julinho Bittencort, um dos fundadores. Ele narrou, que certa noite, uma mulher misteriosa, de chapéu e óculos escuros, chegou discretamente ao estabelecimento. A mulher era a então prefeita de Santos, Telma de Souza, que precisava encontrar amigos que compreendessem a necessidade de viver numa sociedade onde a mulher não seja vítima de preconceitos. “Naquela época o Torto já era uma espécie de ‘ninguém solta a mão de ninguém’. Lá as pessoas eram acolhidas. Tinha um garçom que servia usando um vestido de seda. Ia gente de esquerda, de direita, alta, magra, baixa, de todas as orientações sexuais e todos eram bem recebidos”, contou Julinho

Bastante emocionado, Michel Pereira disse que aquela noite foi uma das mais importantes de sua vida, pois retratava sua trajetória. “O Torto faz parte da minha vida. Foi ali que construí minha história, fiz muitas amizades e hoje o coração está acelerado, com toda minha família e amigos aqui, vivendo este momento comigo”.

Para a vereadora Telma de Souza, a homenagem resgata tudo que o Torto representa. “Este tributo foi do fundo do nosso coração. O Torto foi um lugar de resistência, que surgiu no fim da Ditadura Militar, perto das ‘Diretas Já’ para reagirmos e agruparmos uma geração, a ‘tribo’ do Torto. Mais do que um espaço, o Torto é um movimento transgressor, que utilizou a Cultura como arma. Muitos músicos santistas passaram por ali, como o nosso imortal DJ Wagner Parra”, destacou Telma, citando ainda nomes como Roberto Biela, Zélius Machado, Déborah Tarquínio, Chorão (Charlie Brown Jr), Igor Black e Cristopher Clark. 

No discurso que precedeu à entrega da placa, Telma voltou a se emocionar. “Eu, Telma, posso me dizer uma ‘torta’, porque nunca fui direita”, arrancando risos e palmas da plateia. A ex-prefeita relembrou quando Julinho Bittencourt entoou Balada do Louco, diante dela e do companheiro Luís Inácio Lula da Silva. “Jamais esquecerei tantas vezes que ‘subi ao palco’ do Torto para brincar de cantar, discutir Cultura e, até já fui DJ por um dia”, relatou Telma.

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