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Em mais um Dia Mundial de Luta contra a Aids, este 1º de dezembro de 2008 não traz boas notícias para Santos. De acordo com o Centro de Referência e Tratamento de Aids (Craids), de janeiro até o último dia 25, dos 273 novos pacientes ali registrados, 153 (56%), quando chegaram ao órgão, já necessitavam de administração de anti-retrovirais, pois a doença já se encontrava em estágio avançado. Outra má notícia: enquanto o índice de pravalência da doença no país é de 0,6% da população, em Santos ele é de 2%.
Conforme declarações do médico Marcos Caseiro em reportagem publicada pelo jornal A Tribuna (só para assinantes), as estratégicas de prevenção não estão repercutindo com a intensidade desejada junto à população. Um dos mais competentes infectologistas do Brasil, Caseiro conhece bem o problema da Aids em Santos, já que ele fez parte da equipe responsável pela implantação, durante meu governo à frente da Prefeitura, do programa que reduziu drasticamente as mortes e a contaminação pela doença no município, considerado, na época, a "capital brasileira da Aids".
O programa, coordenado pelo então secretário de Saúde David Capistrano Filho, que depois me sucederia no Executivo santista, fez de Santos referência nacional e internacional no combate à epidemia, inclusive com a distribuição gratuita pioneira de anti-retrovirais.
Há tempos, técnicos, militantes de ONGs e políticos comprometidos com a questão da Aids vêm chamando a atenção para a necessidade urgente de um enfoque mais intenso e permanente no que se refere às campanhas de prevenção e de incentivo à realização dos testes que detectam a moléstia em seu estágio inicial, o que evitaria a propagação do vírus, já que este vem sendo disseminado, com freqüência, por pessoas que não sabem serem portadoras. Ao mesmo tempo, o teste pode detectar a doença em seus estágios iniciais, possibilitando um controle muito mais eficaz do seu avanço no organismo.
Como já foi dito à exaustão em fóruns nacionais e internacionais, a epidemia da Aids tem sofrido constantes mutações ao longo dos anos. Constatações como o abandono de conceitos como o de grupos de risco mais expostos, a crescente contaminação entre as mulheres, a cada vez maior relação entre a manifestação da doença e a pobreza e tantas outras transformações exigem uma ininterrupta estratégia de adaptação nas táticas de combate e prevenção.
A função do poder público deve ser, portanto, traçar as linhas de ação de permitam enfrentar essas novas realidades, com campanhas específicas para cada desafio que se apresente. Aliás, essa é exatamente a opinião dos especialistas do setor sobre o que fazer para reverter esse quadro preocupante que a cidade de Santos voltou a apresentar em relação à Aids.
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