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14/04/2010
A SOCIEDADE PRECISA OLHAR PELOS PROFESSORES
Telma de Souza
Qualificar a recente greve dos professores estaduais como meramente política, com objetivos eleitorais que teriam como finalidade prejudicar o ex-governador e candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, é uma tentativa leviana de encobrir os reais motivos do movimento dos docentes paulistas, que buscam não apenas a melhoria dos aviltantes salários que recebem, mas também a imprescindível elevação da qualidade de ensino no Estado de São Paulo. Ou, alguém tem dúvida quanto a isso?
A intransigência do ex-governador em dialogar com as lideranças da categoria e a violenta repressão, que, sob suas ordens, foi acionada contra as manifestações da classe revelam e reiteram o autoritarismo típico de quem, na falta de argumentos para dialogar em nível civilizado, apela para a truculência, justificando tal atitude com a falácia de que o movimento reivindicatório dos professores paulistas teria motivações eleitoreiras. Lamentável sob todos os aspectos o comportamento do governo paulista diante do progressivo descaso e desrespeito dispensado à rede de ensino estadual e aos profissionais que nela atuam.
Há mais a dizer ainda, haja vista que a greve não é do PT. Um movimento de classe é conduzido pelos sindicatos que o representam e, sindicatos podem ter militantes de diversos partidos políticos, entre eles, o próprio PT. O movimento reivindicatório é justo, os professores ganham mal, como toda a sociedade reconhece. Realmente, para que haja avanço, o governo não pode ser intransigente, com tem sido nas gestões do PSDB no estado de São Paulo.
Uma greve é um ato perfeitamente legítimo e legal, um instrumento democrático. Os trabalhadores têm o direito a protestar, empunhar faixas e cartazes com suas opiniões e pleitos. Estas são as armas do trabalhador, enquanto, numa luta desigual, a polícia militar é escalada para bater em manifestantes. Esta é a grande disparidade, uma luta de Davi contra Golias. A sociedade precisa dos professores e precisa olhar pelos professores. Só o discurso não basta.
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