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18/03/2010
O TOPE E A BASE DA PIRÂMEDE
Telma de Souza
Dez anos atrás, na campanha de 2000 para a Prefeitura de Santos, chamávamos atenção para as perspectivas representadas pelas jazidas de gás e petróleo da Bacia de Santos. Taxadas, na época, de delírios político-eleitorais, essas afirmações tiveram sua pertinência confirmada logo depois. Perdemos, contudo, um tempo precioso.
Tempo precioso, sim. Já em 2006, após a luta política que resultou na instalação da Unidade de Negócios da Petrobras em Santos, dirigentes daquele órgão davam a mim, então deputada federal, e à deputada estadual Maria Lúcia Prandi um alerta: “Não foquem tanto nos empregos na Petrobras, mas nos que serão gerados pelas atividades da Petrobras. Se a Petrobras não encontrar aqui, vai ter que buscar onde houver”. Infelizmente, só há pouco a região começou a se mobilizar para tal, em especial a partir do setor universitário, voltado para a qualificação técnica de mão-de-obra para o segmento.
Os dados econômicos sobre o futuro são por demais animadores, mas, pela dimensão dos números e abrangência territorial da Bacia de Santos e do pré-sal como um todo, não permitem previsões mais concretas. Em termos nacionais, os investimentos no pré-sal devem chegar a US$ 211 bilhões até 2020, com geração de 500 mil postos de trabalho, diretos e indiretos, embora outras estimativas falem em 1 milhão. Para São Paulo, são citados 19,7 mil empregos diretos nos próximos quatro anos.
Santos, por exemplo, vai abrigar a sede administrativa da Petrobrás, cuja construção exigirá 1,2 mil trabalhadores e sua operacionalidade gerará 6 mil empregos diretos até 2014. Como para cada emprego direto são criados cinco indiretos, só isso deve representar crescimento de quase 30% dos postos de trabalho na cidade, onde a Petrobras iniciou atividades em 2006 e hoje emprega 800 pessoas em seu escritório. Já em Cubatão, a Usiminas apresentou, há poucos dias, projeto de uma fábrica de módulos para unidades de exploração, demandando investimentos de US$ 200 milhões e gerando 1.500 empregos diretos e 3.500 empregos indiretos a partir de 2011, além de 200 postos de trabalho na fase de construção.
Continuo, no entanto, meditando sobre aquela frase que nos foi dita em tom de alerta naquele hoje já distante encontro da Unidade de Negócios, com ênfase na questão dos empregos que serão gerados a partir das atividades de exploração e que envolvem uma diversificada e enorme gama de serviços e produção, que vão desde oferta de habitação até confecção de vestuário, reparo de embarcações, hospedagem, transporte, alimentação e tantos outros. Entendo que, embora com muito atraso, estejamos tentando nos preparar para suprir a lacuna de oferta de trabalhadores especializados em funções técnicas da exploração de gás e petróleo, pouco se tem comentado a respeito das ocupações correlatas que surgem dessas atividades e que, conforme, os especialistas no setor são a principal e maior fonte geradora de empregos.
Acredito que seria, não só oportuno, mas fundamental, direcionar também nossas preocupações para esse segmento, que não vem merecendo a devida atenção até agora. As possibilidades de inclusão e distribuição de renda aí contempladas são imensas e capazes de gerar um “efeito dominó” não apenas altamente benéfico ao crescimento da economia regional, mas essencial à sua propagação e ampliação.
Enfim, não podemos nos descuidar nem do topo, nem do centro, nem da base da pirâmide de desenvolvimento que a exploração do gás e petróleo da Bacia de Santos pode e deve trazer para a Baixada Santista.
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