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03/05/2008
FUTURO, OMISSÃO E IRRESPONSABILIDADE
Telma de Souza
A imprensa fez a sua parte, divulgou as notícias e fez os alertas pertinentes. Até agora, contudo, não surgiram respostas à altura por parte das autoridades responsáveis, com o assunto ameaçando resvalar para um perigoso esquecimento. Refiro-me, em primeiro lugar, à questão da poluição do estuário de Santos. Se a contaminação prosseguir nos níveis atuais, em pouco tempo as praias de Santos terão ‘‘balneabilidade zero durante quase todo o ano’’. Além disso, a Codesp se verá obrigada a intensificar significativamente as dragagens de manutenção, se o nosso porto quiser continuar recebendo embarcações de grande porte. O alerta, dando conta de que a poluição do estuário cresceu 25% apenas nos últimos cinco anos e que nenhuma ação de controle ambiental está sendo suficiente, foi feito com base nas conclusões do Estação Fixa, programa de monitoramento ambiental desenvolvido por professores e alunos do curso de Oceanografia do Unimonte. De acordo com oceanógrafo André Belém, um dos coordenadores do programa, o material poluente é uma mistura de sedimentos com esgoto doméstico, sendo que a quantidade de sedimentos em suspensão mostra ainda que os rios que alimentam o estuário têm contribuído cada vez mais com os índices, tendo como provável causa a ocupação desordenada das margens. Já os índices de matéria orgânica em suspensão denunciam que, com o passar dos anos, os níveis de poluição, principalmente por esgotos domésticos e efluentes industriais, não têm regredido. Ainda de acordo com o levantamento, as análises das águas do estuário mostraram ainda muito lixo boiando: ‘‘Levado pelas correntes de enchente e de vazante, foram observados sacos plásticos de supermercados, latas, garrafas pets e alguns itens importados. O lixo globalizado é oriundo do próprio porto, vindo de navios estrangeiros que costumam usar o estuário como lixeira’’. No entanto, outra notícia preocupante foi veiculada nos últimos dias. Recente levantamento da Cetesb sobre a emissão industrial de gás carbônico (CO2) indica indústrias de Cubatão na lista dos dez principais agentes poluidores. Entendo que esse quadro clama por atenção imediata das nossas autoridades e da comunidade em geral, no sentido da adoção de providências a curto, médio e longo prazos, visando reverter essa situação alarmante. Tenho, em todos os lugares em que me é dada a oportunidade de expor minhas opiniões, reiterado que a preservação do meio ambiente e da qualidade de vida em Santos e na Baixada Santista não pode continuar sendo encarada como uma mera preocupação de ecologistas idealistas, mas sim como um fator de geração de renda e empregos em nossa região, ou seja, a questão ambiental deve ser abordada também no seu contexto econômico. O estudo do Unimonte sobre as condições do nosso estuário e o levantamento da Cetesb sobre a emissão de CO2 demonstram de forma explícita que isso, infelizmente, não vem acontecendo. Se não mudarmos essa postura, as novas gerações, isto é, nossos filhos e netos, pagarão caro por nossa omissão e irresponsabilidade.
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