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09/03/2008
MAIS UM DIA HOJE
Telma de Souza
Comemora-se neste sábado mais um Dia Internacional da Mulher. Costumo dizer que a própria comemoração dessas datas, em si, é uma demonstração patente de que objeto da lembrança ainda é vítima de muito preconceito e muita discriminação, necessitando de eventos especiais que lhe tragam maior visibilidade e, portanto, maior atenção. No caso da situação das mulheres no Brasil e no mundo, não é diferente.
Costumo também afirmar, por ocasião dessas datas, que o importante nelas não é apenas festejar as vitórias conseguidas, mas, principalmente, salientar os problemas que ainda existem. Isso porque, e em especial no que se refere às mulheres, não vejo muito sentido em se comemorar a conquista de direitos que deveriam ser reconhecidos e respeitados desde sempre. Entendo, portanto que o Dia Internacional da Mulher deva servir, prioritariamente, para enfatizarmos a importância do feminino na sociedade humana e, em paralelo, servir de catalizador para fortalecer a moblização em torno da luta contra todos os tipos de discriminação, opressão e violência que ainda e em grande numero existem.
É inegável que evoluímos muito e gostaria aqui de citar o avanço representado pela criação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma conquista das mais importantes no país, que pela primeira vez passou a contar com um órgão fedeal específico de aglutinação e promoção de políticas direcionadas para as mulheres brasileiras. Da mesmo forma, são factíveis as vitórias que a mulher vai conquistando, a cada dia, em todo o mundo.
Mas, coerente com o que já explicitei aqui, devemos, em mais este Dia Internacional da Mulher, nos concentrar no longo e tortuoso caminho que ainda há a percorrer. Tanto no Brasil quanto em quase todo o mundo, com diferentes graus de intesidade e gravidade, as mulheres continuam sendo vítimas das mai absurda dimiscriminação e violência, sexual, econômica, cultural, política e social.
Outro ponto que acho necessário salientar é que, muitas vezes, o reconhecimento de nossos direitos nos é concedido a partir de conceitos totalmente masculinos. Isto é, para que nos seja permitido acesso e trânsito no mundo dos homens devemos nos adaptar aos padrões já existentes e não criarmos nossos padrões, qual seja aqueles que mais se adaptam às nossas necessidades específicas. Daí as polêmicas em torno dos prazos da licença maternidade e outros itens. Mas isso é assunto para outros comentários, já que a luta das mulheres por seus direitos é muito longa e deve acontecer todos os dias, em todas as frentes.
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