A disputa entre Obama e Hillary
Telma de Souza
Segundo levantamentos realizados nas últimas semanas, há tempos uma eleição presidencial norte-americana não despertava tanto a atenção do público brasileiro. Na verdade, esse interesse acompanha uma tendência constatada nos próprios Estados Unidos e em muitos países de todo o mundo.
Os motivos são simples. Em primeiro lugar, a perspectiva do fim da era Bush – e de todas as suas conseqüências - na nação mais poderosa do planeta, mesmo que o vitorioso no pleito seja alguém de seu partido, abre possibilidades de significativos rearranjos locais e internacionais, após a onda de extremo reacionarismo que caracterizou o longo período em que o atual presidente dos EUA ocupou a Casa Branca.
O outro motivo é, obviamente, o fato inusitado de um negro e uma mulher terem reais chances de chegar à presidência dos Estados Unidos. O inusitado, no caso, não se restringe à questão racial ou de gênero, já que cor da pele ou sexo nunca foram determinantes de posturas mais ou menos conservadoras ou mais ou menos progressistas, e a própria política norte-americana mostra bons exemplos disso.
A novidade prende-se também à questão de que, por serem os pré-candidatos Barack Obama e Hillary Clinton do Partido Democrata, os debates entre eles estarem funcionando como uma inevitável e profunda reavaliação dos ideais programáticos defendidos pela sigla, provocando também reflexos na discussão que se trava no lado oposto, ou seja, no Partido Republicano.
Resumindo, o que estas primárias presidenciais nos EUA estão colocando em pauta, tanto em nível local quanto internacional, é a discussão sobre o papel que os Estados Unidos vêm desempenhando no mundo e qual o papel que vão desempenhar daqui para frente. E toda essa repercussão nunca aconteceria se, da disputa, não estivessem participando um negro e uma mulher, com perspectivas concretas de chegar lá.