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20/01/2008
Os 462 anos em 2008
Telma de Souza
Neste 26 de janeiro, Santos completa 462 anos, sendo que esse aniversário acontece em um ano que marca eventos importantes na história do país e que, de alguma forma, estão relacionados com a cidade ao longo de sua existência.
Em 2008, por exemplo, comemoram-se os 200 anos da abertura dos portos brasileiros e, embora o fato tenha-se refletido primeiro e de imediato no Rio de Janeiro, onde se instalou a família real portuguesa, foi também crucial para o posterior desenvolvimento do porto santista, que com sua trajetória se tornou o maior do país e do hemisfério sul, desempenhando hoje um papel fundamental para o desenvolvimento do Brasil.
E foi justamente por esse porto que, no dia 18 de junho de 1908, atracou o navio Kasato Maru, trazendo a primeira leva de imigrantes japoneses para o Brasil. Em 2008, comemora-se, assim, o centenário da imigração nipônica para o país, tendo Santos um significado mais do que especial nessa comemoração. Desnecessário enfatizar o envolvimento que até hoje esse povo irmão mantém com a nossa cidade. E, felizmente, foi aqui que se deu o primeiro ato concreto de reparação às injustiças perpetradas contra o povo japonês durante a Segunda Guerra, com a devolução, em dezembro de 2006,da casa da escola da comunidade, na Rua Paraná, resultado para o qual tive o privilégio de contribuir enquanto deputada federal.
Mas 2008 marca também os 50 anos da primeira Copa do Mundo conquistada pelo Brasil. E, novamente, esse feito está intimamente relacionado com a cidade. Basta dizer que foi naquela competição que um garoto de 17 anos, que começava a despontar no Santos Futebol Clube, assombrou o mundo com sua arte de conduzir a bola sobre os tapetes de grama dos estádios da Suécia. Seu nome,como todos sabem, era – e é – Pelé.
E o ano de 2008 assinala ainda o cinqüentenário da bossa nova. Aqui, muitos dirão: ora, mas esse movimento não teve como epicentro o Rio de Janeiro? Sem dúvida, só que o ritmo, e tudo em que ele implicava, se espalhou com rapidez por todo o país – tendo como um dos seus principais porta-vozes, ironicamente, um baiano, o eterno João Gilberto. E aqui em Santos, quem freqüentava os círculos universitários nos anos 60, sabe da importância que a bossa nova teve como fundo musical para os efervescentes debates de então, numa Santos fascinada pelas vanguardas estéticas e políticas e amordaçada pela ditadura militar.
Resumindo, mais um aniversário da nossa Santos nos dá oportunidade de, mais uma vez, refletirmos não apenas sobre a grandeza da história desta cidade, mas também a respeito da necessidade de garantirmos que o seu futuro fará sempre jus ao seu glorioso passado. Esta é a missão que nos cabe.
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