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05/01/2008
O caos anunciado de sempre
Telma de Souza
Por uma série de fatores, esta temporada de verão vem registrando um aumento no afluxo de turistas à nossa região. Se, por um lado, isso é motivo de satisfação e, reconheça-se, fruto de uma tentativa cada vez efetiva das cidades do litoral em fomentar a atração de visitantes, por outro, reitera a urgente necessidade de contarmos com uma infra-estrutura mais condizente com a importância que a Baixada Santista vem, a cada ano que passa, ganhando no contexto turístico, em especial do Estado de São Paulo.
A questão é que, em nível local, em maior ou menor escala e com maior ou menor êxito, as administrações municipais se prepararam para recepcionar o grande número de turistas que a região já previa receber e, dentro de suas possibilidades, suprirem as deficiências de infra-estrutura que a superpopulação sempre acarreta. Esses esforços, contudo, se mostraram muito aquém dos problemas verificados, principalmente durante o feriado prolongado de fim de ano.
Não há como as prefeituras equacionarem questões críticas como a falta de água registrada em alguns municípios da região ou o verdadeiro caos que se criou no trânsito intermunicipal nas vizinhanças dos acessos às rodovias que servem a Baixada e outros pontos do litoral paulista. São iniciativas que estão muito acima da reduzida capacidade dos respectivos orçamentos municipais e, além disso, não envolvem interesses apenas locais, mas de muito maior amplitude e que deveriam merecer a devida atenção por parto do Governo do Estado.
Diriam alguns que a sobrecarga da infra-estrutura urbana regional no período de festas de fim de ano era inevitável, diante da sobrecarga verificada no período. Ocorre que tal situação não decorreu de um movimento atípico, mas de um aumento progressivo de afluxo de turistas para a região que vem sendo monitorado há décadas e que, portanto, deveria ter ensejado as devidas providências no seu devido tempo.
Para não irmos mais longe, cite-se que várias das obras que hoje estão sendo listadas como essenciais para, pelo menos, desafogar um pouco o sistema viário regional, evitando-se um próximo caos anunciado, já estavam previstas quando da construção da primeira pista da Rodovia dos Imigrantes. Só esse exemplo já basta para termos idéia do descaso com que o Governo do Estado tratou a questão ao longo dos anos.
É hora, mais do que nunca, de exigirmos que os municípios da Baixada Santista sejam tratados, pelo governo de São Paulo, com a deferência que sua importância econômica e turística exige. De nada adianta nos esforçarmos para fazer nossa lição de casa, se quem tem a incumbência de realizar as tarefas prioritárias continua empurrando os problemas com a barriga.
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