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02/12/2007
Dois pesos e duas medidas
Telma de Souza
Não sou nem nunca fui ufanista. Acho o ufanismo um dos sentimentos mais nefastos a qualquer povo. No entanto, são simplesmente absurdos os esforços de grande parte da imprensa brasileira para desqualificar o fato do Brasil ter sido incluído, pela ONU, no grupo de países com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
Todos os dias, somos confrontados com fatos que demonstram, claramente, o abismo que ainda nos separa de uma sociedade mais igualitária, solidária e justa. Contudo, negar que o país tem avançado no sentido de se alcançar esse objetivo é tentar negar a realidade, a partir de interesses meramente políticos, isto é, contra o atual governo do presidente Lula. Mas vamos falar de exemplos concretos. No último dia 28, a Folha de São Paulo estampou como machete: "ONU inclui Brasil no grupo de elite da qualidade de vida". E a maior parte da cobertura sobre o assunto, naquele dia e até hoje foi destinada a tentar provar que os índices de avaliação,aplicados desde 1990,com base no Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento),não são confiáveis e, portanto, que o país realmente não merece tal distinção.
Dois dias depois, a manchete do mesmo jornal estampava: "Brasil é um dos piores em ciências" e a maior parte da cobertura sobre o assunto destaca a "confiabilidade" de tal avaliação, feita pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), que, de três em três anos, aplica o Pisa (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Alunos). Com quase toda a certeza, os dois índices espelham duas realidades concretas do Brasil e deveriam servir para que aprimorássemos as políticas públicas que estão dando certo e reavaliassemos os setores que não vêm cumprindo bem seu papel.
Mas não. O importante tem sido - sempre - desqualifidar o positivo e maximizar o negativo. E olhem que não estamos em ano eleitoral. Parece, porém, que alguns setores do espectro político da sociedade brasileira - e aí se insere essa parcela da mídia - ainda não assimiliram a derrota eleitoral de 2006.
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