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05/08/2006
Tudo nos distingue dos adversários
Telma de Souza
Nunca se investiu tanto na área social, na saúde e educação, no Bolsa Família, na inclusão de jovens pobres nas universidades, em recursos para a agricultura familiar, entre outras dezenas de ações concretas para reduzir a pobreza. Melhora a infra-estrutura do país e já chegamos à auto-suficiência em petróleo. A situação é de crescimento, de geração de empregos, aumento da renda com inflação baixa e exportações recordes. Um quadro de queda dos juros, para incentivar a produção, e facilidade de crédito, para fortalecer o mercado interno. A melhora do Brasil ainda é insuficiente, mas a gente já sente seus efeitos na vida cotidiana.
O governo do PT não destruiu o Brasil como anunciavam na última eleição, pelo contrário, fez muito melhor do que o PSDB em oito anos. Diziam que éramos inexperientes e radicais. Usavam atrizes famosas na tevê para dizer que tinham medo do Lula. Todos ainda lembram disso e sabem agora que eram mentiras. Outras vêm aí, tentando desqualificar Lula e o PT.
A questão é simples: por que não faríamos um bom governo novamente? Agora temos mais experiência, construímos alicerces sólidos e trabalhamos com persistência. Agora, sem os problemas deixados pelo PSDB e com a casa em ordem, temos as condições para uma arrancada. Estamos no caminho certo e o Legislativo deve ajudar a acelerar o passo. A importância desta eleição para a Câmara dos Deputados e para o Senado é essa, de dar a Lula os meios de intensificar o ritmo das mudanças. Eleger Lula presidente e uma bancada de apoio forte na Câmara e no Senado é muito importante para o futuro do Brasil.
É uma obrigação explicar que, por maior que seja o desencanto com a Câmara Federal e o Senado, esse poder, o Legislativo, é o que melhor espelha a face da nação, gostemos ou não do que vemos. São nossos votos que elegem deputados e senadores. Somos, portanto, todos responsáveis.
E lembrar o eleitor que, a cada vez que deixamos de votar em um bom deputado ou deputada, ou senador, mesmo como protesto, ajudamos a eleger justamente os que têm menos compromisso com a população.
Vamos reconhecer que houve erros, sim, e que foram corrigidos, mas dizer também que a oposição gastou meses de CPI na única intenção de derrubar Lula. E queria derrubá-lo não por causa de erros, mas devido aos seus acertos. Essa é nossa divergência fundamental com os opositores.
Estamos acelerando o crescimento econômico, mas a taxa de crescimento por si só não significa nada. A China cresce mais que o Brasil, mas o trabalhador chinês recebe 70 dólares em média, enquanto aqui só o salário mínimo já é superior a 130. A Argentina também cresce mais, mas toda sua produção somada é menor que a do Estado de São Paulo. Denunciar os malabarismos numéricos nos separa da oposição.
Acusam o governo Lula de gastar demais. Mas os adversários não explicam que os gastos que criticam são os dos programas sociais. Para nós isso não é gasto, mas investimento num país melhor e mais justo. É uma visão que nos distingue deles.
Os juros devem cair, sim, e já são os mais baixos dos últimos 30 anos, mas isso não pode ser feito na velocidade que os críticos querem, porque traria a inflação, que confisca a renda dos mais pobres. Isso a oposição nunca explica. É outro modo de ver que nos diferencia dela.
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